Now Playing Tracks

TÉDIO     

Hoje me encontro entediado. Sim…o tédio que me consome de todas as formas imagináveis e possíveis. Trancafiado em uma espécie de cativeiro da mente, onde minhas idéias e objetivos parecem saltar contra uma muralha intransponível. Nada acontece, nenhum telefonema de amigos, nenhum sinal de solidariedade ou aviso da telefonista, ao menos. Que situação! Digamos que estar enclausurado me ajuda a rever, reavaliar minhas ações passadas. Não que eu queira fazer isso, esse flashback mental. Eu sou o único que me escuta aqui, e se faz ouvir como a um tanque de guerra americano. Imagens me trazem memórias boas, de fato. Mas é como em um botequim ao final da aula: uma puxa a outra, a próxima sempre é melhor que a última, e, de repente, me pego pensando em você denovo…Porquê você insiste em aparecer em meus pensamentos? Porquê você não sai daí de dentro e me deixa viver em paz? Será que é porquê você foi para mim uma pessoa muito amada e estimada? Por favor, me responda, já que você está aí dentro tão próxima das minhas dúvidas e angústias…

      Sou interrompido por uma frase de efeito em uma canção que está tocando ininterruptas vezes no rádio há horas: “tudo que morre, vive eternamente na memória, o problema é andar carregando um cemitério na cabeça”. Essa frase choca, é reflexiva até para um ser em estado catatônico como eu. Cemitério? Memória? Eu não acho legal ter memórias como essas. De fato a resolução é mais palpável e plausível do que aparenta. E se eu decidir quebrar a monotonia e aproveitar melhor meus dias??? “Carpe Diem”, já dizia o filósofo. É isso que eu vou fazer. Deixar o passado apenas como aprendizado, consultá-lo quando necessário somente. Como uma velha biblioteca, e não um cemitério. Acho que vou ligar pra alguém, quem sabe queiram partilhar suas alegrias comigo…encontrei seu número, vou discar rápido, minha alegria está me contagiando…Alô? Tudo bom?E aí, vamos sair hoje?…Tudo bem…outro dia a gente combina então, ok? Beijo, tchau.

      (…)

      É, só minha cama está gargalhando nesse momento…

(Will Garbbo - Abril de 2010)

Invisible

"E lá estava ela, fadada a não entender o que havia ao seu redor. Se sentia cansada de ter q agir conforme seu passado lhe ditava. Mas prosseguia alí, imóvel, tentando compreender como sentimentos passados ecoavam em sua mente a ponto de lhe trazer danos ao presente. Daquí posso vê-la sim, agora triste, caminhando sem direção talvez. O tempo agora lhe pune por se entregar a um amor que de fato, foi-lhe prejudicial. Se eu gritasse, talvez ela me ouvisse…mas ela não quer ser ajudada, mesmo que eu lhe fosse um anjo da guarda ou apenas o amigo de assento no ônibus. Vou me fazer sentir, talvez quem saiba ela me atenda em seu coração…quão belo eh o coração de um poeta? De quantas poesias vive o celeiro de sentimentos de uma pessoa? Isso é imensurável, mas pobre daquele que não se desvencilha de efeitos mundanos para perceber que nossos sentimentos não são controlados por nós, meros mortais. Por isso, eu prossigo.

Quem sabe um sinal, um aceno. Hey, olhe pra mim! Nada. Ela parece não conseguir pedir ajuda, parece querer continuar mergulhada em profundo confinamento. Eu não sei desistir, não fácil assim. Quem sabe uma palavra de apoio, não sei. Ela apenas se vira e não me nota. Ela anda por um caminho que eu não conheço. Esse caminho é muito sinuoso e cheio de perigos, posso ver daqui. Eu acredito que seja o interior de seu coração, onde o amor deve estar trancafiado. Consigo vê-la caminhando sem medo, mas por um pequeno momento o caminho se muda, torna-se cheio de espinhos. Ela teme o caminho e se vira pra ir embora. Libertar o amor eh muito arriscado hoje em dia. Eu tento segurar a mão dela, conduzi-la, para que juntos enfrentemos esse caminho que ela tanto evita. Minha mão não consegue tocar a dela, não consigo abraçá-la, penso que algo está acontecendo comigo. Ela se vira e retorna, não se importando comigo e nem me dando ouvidos. Eu acho que ela não pode e nem quer me ver. Sou Invisível para ela, entendí agora. O que faço ou falo, não a afeta ou a toca de alguma forma. Ela não quer me ouvir ou tem medo do que eu posso lhe dizer? Quer evitar enfrentar seu passado para libertar seu futuro? Deixe eu te auxiliar, deixe eu ser seu confidente, aquele a qual ela vai recorrer quando faltar-lhe o chão…

Mas ela ignora o que não pode ver, ou o que finge não ver. Eu vou prosseguir te querendo feliz, te querendo bem. Se quem está com você não te faz feliz, não existe porquê continuar…e eu vou me manter perto, não quero ficar longe…Não dela…Não agora…”

(Will Garbbo - novembro de 2006)

AMOR DE VERÃO?    

    Do louco amor se fez a dor…ah!…sábias as palavras do poeta que diziam que o amor é eterno enquanto dura…podiam ser minhas essas palavras, quem dera…você…difícil descrever…meu desejo de te fazer feliz não me tornou mais sábio nem comovido…mas sim indócil, ávido, desgarrado…esta caneta não tem mais motivo para escrever poemas agradáveis…de mazelas se fez a única lágrima que teimarei em chorar por você…sem rancores…eu sentí, do fundo do peito, que tudo caminhava bem, que tudo seriam flores…só houveram espinhos…agora irei tentar voltar a realidade e me recobrar da imensa queda…

    Amei…amei sim, confesso. Meu ser nunca esteve tão convicto do amor nascente, mas que nessa derradeira hora, se faz poente…ignoras meu sentimento tal qual o Sol que ignora a noite, sabendo que brilhará em outro canto, mesmo não sendo exaltado com o total merecer de que és digno…Ah querida…amei te amar…suas palavras me vislumbraram a cada momento, mesmo as que impulsionaram queda abaixo…esta caneta novamente se encostará e fitará o amargor da minh’alma…não quero ser mais um nas baixas estatísticas dos injustiçados…

    Sem mágoa, sem treva, sem ressentimento…sem luz..merecedor do sofrimento sou eu, que almejava somente a felicidade, e esta me foi negada…estou a ponto de romper as barreiras dessa queda…sim…quem se joga da ponte sabe o que lhe aguarda no final da queda…fui mal jogador e perdí…mas não sei perder…só quero dizer que você foi um sonho de areia, que esmoreceu e se dissipou nos ventos do destino…

    Essas linhas estão se aumentando, a tinta da caneta acabou…agora de vez mesmo eu digo…siga em frente e sejas feliz, com quem quer que você escolha pra sua vida…aqui, só restou um ávido torcedor…

    Beijos carinhosos!

    Se cuida!

(WilL Garbbo - outubro/2006) 

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